Análise: iPad mini


Conheça os detalhes da mais nova versão de tablet lançada pela Apple. Vale a pena comprar um iPad mini?

 

Durante a sua trajetória à frente da AppleSteve Jobs foi categórico em sua opinião: “A Apple jamais terá uma tablet com tela menor”. Entretanto, afirmações como essas no mundo da tecnologia sempre devem ser vistas com muito cuidado. O mercado muda e as empresas que não conseguem se adaptar a ele acabam perdendo espaço.

iPad foi pioneiro e, por conta disso, a Apple ditou (e ainda dita) as regras do mercado de tablets. Entretanto, ela já não está mais sozinha, e outras empresas, como a Google, a Microsoft, a Samsung e a Amazon, tornaram a concorrência mais acirrada. O que era ótimo há dois anos não é mais, necessariamente, a melhor opção hoje.

Assim, o iPad mini surgiu muito mais da necessidade da Apple de apresentar um tablet com um custo mais baixo para segurar a concorrência do que de uma vontade própria de lançar um produto com essas características. O aparelho não é o carro-chefe da empresa e dificilmente será o produto top de linha da companhia em um futuro próximo.

Análise: iPad mini [vídeo] (Fonte da imagem: Baixaki/Tecmundo)

Conferimos todos os detalhes do iPad mini em nossa análise. O modelo que testamos é a versão Wi-Fi com 64 GB. Vale lembrar que o aparelho já está homologado pela Anatel, mas ainda não tem data oficial para chegar ao Brasil. Será que o iPad mini tem chances de ser o seu próximo tablet?

iPad mini – Configurações

  • Tamanho de tela: 7,9 polegadas;
  • Resolução: 1024×768 pixels;
  • Processador: A5 dual-core (o mesmo do iPad 2);
  • Armazenamento: opções de 16 GB, 32 GB e 64 GB;
  • Câmera: 5 megapixels (traseira) e Facetime HD (frontal);
  • Bateria: 10 horas;
  • Conectividade: Lightning, Wi-Fi e LTE;
  • Preço nos EUA: US$ 329 (16 GB), US$ 429 (32 GB) e US$ 529 (64 GB).

Aprovado

Um tablet bem mais leve

Se for verdade que a primeira impressão é a que fica, não há como negar que a característica mais marcante do iPad mini é o fato de ele ser extremamente leve. O peso exato, 308 gramas, faz com que o aparelho tenha pouco mais do que a metade do peso de um iPad convencional, o que o torna extremamente prático e agradável.

Análise: iPad mini [vídeo] (Fonte da imagem: Baixaki/Tecmundo)

O design de acabamento, com cantos arredondados, ganhou um reforço de segurança, tornando o tablet menos propenso a danos à tela em caso de quedas de quina. No quesito portabilidade, segurá-lo com apenas uma das mãos enquanto você lê, por exemplo, torna-se uma tarefa muito mais fácil e menos cansativa.

O único inconveniente, se é que podemos chamar assim, fica por conta da pegada lateral do aparelho com uma das mãos. Por ser um pouco mais largo do que os tablets convencionais de 7 polegadas, é preciso fazer um certo esforço para segurá-lo dessa forma.

Entretanto, essa característica não torna o tablet menos anatômico ou inconveniente. Os botões, presentes nas laterais do aparelho, são exatamente os mesmos existentes nas versões maiores de iPad, o que torna o seu design “já conhecido” por parte do público.

Análise: iPad mini [vídeo] (Fonte da imagem: Baixaki/Tecmundo)

Duração de bateria

Essa sempre foi uma característica positiva de todos os aparelhos da Apple, e com o iPad mini a situação não é diferente. Segundo a empresa, o tablet aguenta até 10 horas de uso contínuo (9 ao navegar pelo 3G/4G), fato que pôde ser comprovado em nossos testes. Em um dia normal de uso, estando o produto com a carga completa, você simplesmente esquece que há a necessidade de recarregá-lo em algum momento.

Nesse caso, não há vantagem nem desvantagem do produto em relação aos demais tablets da Apple. A duração de bateria é semelhante à do iPad 3 ou do iPad 4. Contudo, se comparamos o produto com seus concorrentes diretos – Nexus 7, Galaxy Tab 2, Galaxy Tab 7.7 e Kindle Fire HD –, a vantagem é de pelo menos duas horas a mais de duração para o novo aparelho da empresa da Maçã.

Tela: adaptada à proposta

Os tablets são uma ideia sensacional para quem tem como perfil o consumo de conteúdo. Para a produção, entretanto, ainda estão longe de ser a melhor das opções. Porém, basta segurar por alguns minutos um tablet de 10 polegadas e outro de 7 polegadas para perceber uma coisa: os aparelhos de telas maiores se tornaram “dinossauros” em termos de ergonomia.

Análise: iPad mini [vídeo] (Fonte da imagem: Baixaki/Tecmundo)

O modelo de 7,9 polegadas parece o melhor formato que a Apple poderia ter criado para um tablet, assim como o dos seus concorrentes, de 7 polegadas. A sensação que se tem, após várias horas de uso, é que os produtos de 10 polegadas são como desktops, enquanto os modelos de 7 polegadas se assemelham muito mais a notebooks.

O aproveitamento do espaço disponível é outro ponto a ser ressaltado, uma vez que as bordas nas laterais da tela são bastante finas, resultando em um estilo elegante para o produto. Lamentamos dizer, Steve Jobs, mas você estava errado: os tablets de 7 polegadas vieram para ficar.

Execução suave

O processador do iPad mini é um A5 dual-core, o mesmo modelo utilizado no iPad 2. Isso torna o aparelho, ao menos em termos tecnológicos, defasado em relação aos seus irmãos maiores – os iPads 3 e 4. Porém, nem por isso você terá algum tipo de problema para executar os jogos mais pesados.

Análise: iPad mini [vídeo] (Fonte da imagem: Baixaki/Tecmundo)

A execução é suave, sem travamentos ou lentidão. Contudo, para que isso aconteça, há uma adaptação na qualidade dos gráficos exibidos, mas nada muito significativo. Jogadores hardcore, aficionados por gráficos cada vez mais detalhados, podem encontrar alguns gargalos, mas os adeptos de jogos casuais, público-alvo desta versão, certamente não terão do que se queixar.

Câmera: o suficiente e nada mais

A câmera do iPad mini é uma versão melhorada do dispositivo existente no iPad 2. Com resolução de 5 megapixels, ela proporciona fotos de qualidade, com autofoco, detecção de rostos e iluminação de fundo. Se levarmos em consideração que o Nexus 7, por exemplo, nem sequer tem uma câmera traseira, esse é um benefício notável para o consumidor.

Contudo, não estão disponíveis modos como HDR e Panorama, presentes nas versões mais recentes do iPhone. Vale lembrar que o foco de um tablet não é o de servir como uma máquina fotográfica. Porém, o recurso existente dá conta do recado e a câmera acaba sendo bastante útil para o usuário.

Já a qualidade da câmera frontal é outro aspecto que merece ser ressaltado, uma vez que ela é capaz de filmar em 720p. Com isso, o recurso FaceTimeHD é explorado com bons resultados, permitindo imagens mais nítidas e com melhor resolução durante a conversação.

Análise: iPad mini [vídeo] (Fonte da imagem: Baixaki/Tecmundo)

Acervo amplo de livros, músicas, vídeos e revistas

Não se trata de uma comparação se o Android ou Windows é melhor que o iOS ou vice-versa. Todos os sistemas têm vantagentes e cada um deles possui pontos positivos e negativos. Entretanto, se analisarmos o propósito de um tablet, em especial o consumo de conteúdo multimídia (livros, músicas, filmes e revistas), ainda há mais opções vinculadas ao sistema da Apple do que nos demais.

Mesmo em se tratando de títulos em português já há uma quantidade considerável de conteúdo. Praticamente todas as grandes revistas do exterior e as principais brasileiras contam com versões para iOS, muitas delas bastante interativas. Esse acervo maior, ao menos por enquanto, acaba se revelando mais vantajoso para o consumidor do que as opções existentes em outros sistemas operacionais.

Análise: iPad mini [vídeo] (Fonte da imagem: Baixaki/Tecmundo)

Reprovado

Densidade de pixels da tela inferior aos concorrentes

A tela do iPad mini é ótima e não deixa a desejar dentro da sua proposta. Entretanto, comparando o tablet com outros concorrentes diretos, não há como negar que a tela, sem o Retina Display, acaba resultando em uma qualidade inferior à da tela dos iPad 3 e 4 e também abaixo da dos seus concorrentes diretos de 7 polegadas.

Colocando em números: a densidade de pixels do iPad mini é de 163 ppi. Todos os outros tablets que poderiam concorrer com ele apresentam densidades de pixel maiores. No Nexus 7 e no Kindle Fire HD, esse número chega a 216 ppi. O Nexus 10 lidera esse ranking com 300 ppi, seguido pelo iPad 4, com 264 ppi de taxa de densidade.

Ou seja, se por um lado há qualidade no produto, por outro não há como negar que existem opções melhores – e mais baratas – nesse quesito. Isso não chega a prejudicar o aparelho, mas revela que algumas coisas poderiam ser melhoradas no tablet de forma que ele pudesse ser mais competitivo no mercado.

Análise: iPad mini [vídeo] (Fonte da imagem: Baixaki/Tecmundo)

Em jogos com movimentos de tela acelerados (Jetpack Joyride, por exemplo), é nítida a presença de blur (embaçamento). O serrilhado dos pixels é perceptível em algumas letras, em especial a letra “V”. Nada que comprometa o desempenho do aparelho, mas os entusiastas ou aqueles que já se acostumaram a densidades altas podem se incomodar.

Mesmo para os EUA, o preço ainda é alto

A proposta do tablet da Apple é a de ser um produto mais acessível em preço (não em qualidade) para os consumidores e, por conta disso, a versão mais simples do aparelho (com Wi-Fi e 16 GB) pode ser encontrada nos EUA por US$ 329 (o equivalente a R$ 690 sem impostos). Entretanto, ainda assim o iPad mini está longe de ser o modelo mais barato em sua categoria.

O Nexus 7, da Google, e o Kindle Fire HD, da Amazon, por exemplo, custam US$ 199 (o equivalente a R$ 420 sem impostos) e, em alguns quesitos, chegam a ser superiores ao modelo da Apple. O lançamento de um produto mais em conta foi muito mais uma necessidade da empresa da Maçã do que uma aposta no novo formato. Por enquanto, ao menos nesse assunto, a Apple precisa se esforçar um pouco mais.

Análise: iPad mini [vídeo] (Fonte da imagem: Baixaki/Tecmundo)

Muitas marcas de dedo na versão na cor preta

Uma característica que chama a atenção de forma negativa no produto, e que acaba sendo ainda mais ressltada na versão na cor preta, que foi a analisada pelo Tecmundo, é o fato de que a parte traseira do iPad mini é muito propensa a reter marcas de dedo. Infelizmente, com poucos minutos de uso, a sensação que se tem é que a parte traseira já está “engordurada” ou “suja”.

Obviamente esse é um fator que pode facilmente ser resolvido com uma boa flanela, mas não pudemos deixar de notar que essa característica aparece de forma mais acentuada no iPad mini do que em outros aparelhos nas mesmas cores, como o Nexus 7 e o Galaxy Tab 2, apenas para citar dois exemplos.

Análise: iPad mini [vídeo] (Fonte da imagem: Baixaki/Tecmundo)

Vale a pena?

Antes de escolher um tablet você deve se perguntar para qual finalidade você vai utilizá-lo: mais para acessar a internet ou consumir conteúdo multimídia? Após a análise do iPad mini – e a inevitável comparação com outros modelos similares -, podemos chegar a algumas conclusões que podem auxiliá-lo nessa escolha.

Assim como as demais versões do iPad, o iPad mini é uma ótima escolha para quem está pensando no ecossistema do iOS (apps, internet, livros, vídeos, revistas, jornais e músicas). O produto conta com um vasto acervo de aplicativos, jogos de qualidade e é cada vez mais a biblioteca de títulos em livros e revista disponibilizados em língua portuguesa. Essa característica não é exclusiva dele, é claro, mas revela que estamos diante de um produto versátil e capaz de se adaptar a diversos tipos de perfis.

Entretanto, os produtos da Apple não estão entre os mais baratos do mercado. Nunca estiveram. Apesar de o lançamento do iPad mini ter como proposta atingir parcelas de consumidores dispostos a investir um pouco menos em um tablet, ainda não foi dessa vez que a empresa conseguiu se colocar no posto de “produto mais em conta”. E talvez nunca se posicione assim.

Análise: iPad mini [vídeo] (Fonte da imagem: Baixaki/Tecmundo)

Porém, isso não significa que você esteja jogando dinheiro fora por pagar um pouco mais pelo tablet, pois você está adquirindo acesso a uma biblioteca considerável. Agora, se você já possui alguma das versões do iPad trocar de aparelho por esta versão é desnecessário, a menos que você queira muito um tablet mais leve e menor.

Se o seu foco são os jogos com gráficos acima da média, o iPad mini com seu processador A5 dual-core também não é a melhor opção, já que não é o mais potente que existe. E se quer somente acessar a web e instalar os apps básicos (Facebook, Twitter, Chrome, Gmail, Instagram), você se sentirá mais recompensando pegando um concorrente de menor preço. Para executivos que utilizam o aparelho em apresentações, a tela reduzida também não é um problema.

Por outro lado, se você está prestes a comprar o seu primeiro aparelho, vale muito a pena colocar as mãos no iPad mini e sentir a leveza e portabilidade por sua conta. Sem dúvida, trata-se de um produto com muito mais acertos do que erros, e que tem um grande potencial para conquistar consumidores em uma categoria cada vez mais importante no mercado de tablets.

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