Primeiros celulares com 5G chegam em até 10 anos, prevê Telefónica


Mike Short, engenheiro e vice-presidente da companhia para a Europa, comenta as mudanças da futura tecnologia na vida dos usuários

5G On

Rafael Cabral, de Londres

O centro acadêmico que visa criar a quinta geração da internet móvel (5G), na Universidade de Surrey (Inglaterra), foi viabilizado por meio de uma parceria pública-privada entre o governo inglês e empresas globais do ramo de telecomunicações. Fujitsu, Rohde-Schwarz, Internacional AIRCOM, Huawei, Samsung e Telefónica Europa foram responsáveis pela maior parte do investimento total do ambicioso projeto.

Para entender as mudanças que serão necessárias na indústria para a adoção do 5G e o interesse das empresas na criação do 5G Innovation Centre (Centro de Inovacao em 5G), o Olhar Digital conversou com Mike Short, engenheiro com experiência de 25 anos no setor de telecomunicações, presidente do Institution of Engineering and Technology (Instituição da Engenharia e Tecnologia), professor visitante de diversas universidades do Reino Unido e vice-presidente de assuntos públicos da Telefónica Europa.

Segundo ele, o 5G “permitirá que os usuários conversem através de interfaces visuais, que poderão ficar penduradas nas paredes ou ao lado dos pontos de ônibus”. Prevista por pesquisadores para 2020, a tecnologia que sucede o 4G deverá ganhar os primeiros aparelhos compatíveis em até 10 anos.

– Por que se envolver tão antecipadamente no desenvolvimento do 5G?

O principal motivo para que nos antecipássemos dessa vez e investíssemos em um centro que desenvolverá a tecnologia 5G é o fato de querermos aumentar a velocidade e a capacidade dos nossos serviços. Se olharmos para todas as gerações da internet móvel, a pesquisa trouxe grandes saltos evolutivos de 10 a 14 anos, em média, e muitas vezes vimos grandes inovações sendo construídas em cima da própria estrutura em vigor. Nem sempre são substituições, com uma tecnologia entrando no lugar da outra, mas adaptações.

A razão de grandes empresas de tecnologia estarem investindo na criação de um centro de pesquisa na Universidade de Surrey é garantir que possamos juntar os maiores talentos da área universitária com os especialistas da indústria. Teremos acesso hoje ao talento de cerca de 125 PhDs, que formam cerca de 85 mestrandos por ano em um dos maiores centros de engenharia da Europa. Esperemos que isso possa ajudar em um desenvolvimento mais ágil e seguro do 5G.

– Do ponto de vista do usuário, que mudanças devem vir com o 5G?

Com o 5G, é provável que o mundo da comunicação evolua para um conceito mais visual. Por exemplo, poderemos conversar através de interfaces visuais, que poderão ficar penduradas nas paredes ou ao lado dos pontos de ônibus. Isso pode substituir a ideia atual dos nossos dispositivos de comunicação móvel, os telefones.

Logo, veremos mais conectividade de dados e mais possibilidade de explorarmos o potencial do vídeo. Por fim, também será muito maior o numero de máquinas e dispositivos inteligentes, caminhando para o que chamamos de internet das coisas.

– O que deve mudar na infraestrutura da telefonia?

É provável que inclua mais bandas de espectro, novas interfaces, novas técnicas para distribuir ligações das estações de base para o comutador. Também é muito provável que vejamos um compartilhamento da rede, em oposição a todas as companhias tendo a própria rede e competindo nesse sentido.

– Existe alguma previsão sobre a velocidade do futuro 5G?

As previsões de velocidade são muito antecipadas para serem precisas. Então devemos pensar no 5G a longo prazo – pesquisa (seis a oito anos), o desenvolvimento de padrões (mais dois ou quatro anos) e a implementação da tecnologia (a partir de 2022).

– Quando começaremos a ver aparelhos equipados para funcionar com o 5G?

Devemos começar a ver aparelhos equipados para funcionar com a rede 5G a partir de 2022 e, em outros países, a partir de 2024. Isso não significará que deixaremos de investir no 3G e 4G, mas sim que novas opções se abrirão a longo prazo. Porem, no momento, o 5G está apenas no estágio de desenvolvimento e pesquisa, e não deveremos ver serviços contando com o 5G nos próximos anos, mas sim complementos da atual tecnologia e ‘ilhas’ de cobertura diferente no ‘mar’ do 3G e 4G.

– Se decidir investir na pesquisa, como o Brasil pode se beneficiar?

Vocês contam com uma grande e jovem população, sedenta por tecnologia. Também existe a demanda por uma visão e participação brasileira no cenário global, em oposição a ficar restrita ao contexto brasileiro. Sua presidente vem encorajando programas de educação e parcerias com universidade importantes de fora, para aumentar o número de especialistas e PhDs, o que pode fortalecer a indústria no país. Quando eu vejo algumas algumas parcerias importantes feitas com países em desenvolvimento, como  UK-India, acredito que o Brasil possa construir pontes mais fortes com outros países e, com isso, avançar muito no setor digital. O Brasil pode dar um salto exponencial e superar alguns países vistos como mais avançados, principalmente no setor de telecomunicações ou mídias digitais.

– Explique a evolução das gerações anteriores e como o 5G se encaixa nesse contexto.

A primeira geração, conhecida como AMPS nos Estados Unidos ou TACS (Total Access Communications System) na Europa, foi financiada principalmente por impostos nacionais e não foi muito usada em aparelhos móveis, mas principalmente em telefones de carro. A segunda geração – 2G ou GSM – foi bem diferente, permitindo que a Europa entrasse na área digital e que os países deixassem de lado seus vários padrões nacionais em troca de uma estrutura compartilhada de pesquisa e desenvolvimento.

A evolução para o GSM se tornou uma revolução, no sentido que nos levou da comutacão de circuitos para a de pacotes, o que levou a telefonia cada vez mais para o mundo dos dados. A terceira geração nos deu acesso a uma camada de acesso via rádio e nos deu serviços de mais velocidade. O 2G conseguia trafegar uma taxa alta de dados, mas que não se aproximava do que conseguimos com o 3G. A quarta geração, 4G, está no ar em alguns lugares do mundo e teve como intuito o aumento da velocidade mas também da capacidade da internet móvel. O que o 5G fará no futuro será trazer ainda mais capacidade, mais espectro e mais velocidade.

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